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Fisioterapia

Morte Súbita em Atletas

12 de agostoRunFun

Recentemente nos deparamos com mais uma notícia triste pela morte súbita ocorrida em um atleta. Como uma pessoa saudável, praticante de atividade física e com bons…

Recentemente nos deparamos com mais uma notícia triste pela morte súbita ocorrida em um atleta.

Como uma pessoa saudável, praticante de atividade física e com bons hábitos pode ser vítima de um evento fatal após ter se exercitado? Não deveríamos esperar o contrário?

Atletas podem ser acometidos por cardiopatias que elevam o risco de morte súbita. 

Sabidamente a cardiomiopatia hipertrófica, a displasia arritmogênica do ventrículo direito, anomalia de coronárias, miocardite, doenças valvares, doença arterial coronariana (infarto), canalopatias, entre outras, são exemplos de doenças potencialmente fatais para o atleta competitivo ou de alta intensidade.

Em linhas gerais, a principal causa de morte súbita em atletas menores de 35 anos é a cardiomiopatia hipertrófica. Nos indivíduos acima de 35 anos, o infarto agudo do miocárdio representa a maioria dos casos. Trabalhos recentes chamaram a atenção por não identificarem cardiopatia estrutural em grande parte das vítimas de morte súbita, alertando sobre a possibilidade de doenças como as canalopatias (não há cardiopatia estrutural) e também sobre o uso de substâncias usadas no doping (esteróides, anfetamina, efedrina) eou drogas recreativas (cocaína, MDMA), como causas para tais eventos.

Independente da doença de base, a parada cardiorrespiratória acontece principalmente devido à arritmia ventricular maligna (fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso) e portanto, a única forma de reverter essa condição é com o desfibrilador. Outras alterações cardíacas podem ocorrer e levar à parada cardiorrespiratória como bloqueios avançados e assistolia, minimizando ainda mais a chance de sucesso na reversão e retomada da circulação espontânea.

Um caso marcante ocorreu em maio de 2019 com um jogador de 17 anos do clube Avaí de Florianópolis. O atleta estava treinando quando teve uma síncope (desmaio ou mal súbito) e caiu inconsciente no campo de treinamento. Ele precisou ser reanimado pela equipe médica do clube por cerca de 20 minutos até receber o desfibrilador para reverter a arritmia ventricular maligna.

Felizmente sobreviveu.

Há mais de 15 anos um dos casos que ficou marcado na mente dos amantes do esporte foi o do jogador Serginho do São Caetano, que sofreu uma parada cardiorrespiratória e faleceu durante uma partida no estádio do Morumbi. O jogador Serginho sofria de cardiomiopatia hipertrófica, doença genética altamente relacionada à arritmia ventricular maligna induzida por esforço físico. Diversos outros casos mundo afora ocorrem sem grande conhecimento de todos, mas basta pesquisa rápida que não raramente nos deparamos com tantos casos.

A avaliação pré-participação, frequentemente realizada por cardiologistas, tem como objetivo principal identificar doenças causadoras de morte súbita. Para isso, uma simples consulta é capaz de definir a condição do atleta após história clínica, exame físico e eletrocardiograma de repouso.

Alguns outros exames complementares auxiliam na avaliação e estratificação desses atletas, principalmente em caso de suspeição de alguma doença potencial.

Assim como a avaliação pré-participação, consultas periódicas são importantes para oferecer segurança e prevenção.

Exames básicos no acompanhamento com cardiologista para atletas:

  • Consulta clínica
  • Eletrocardiograma de repouso
  • Teste ergoespirométrico; Teste ergométrico
  • Ecocardiograma
  • Holter de 24hs
  • Ressonância magnética
  • Teste genético
  • Exames de sangue

Principais causas de morte súbita em atletas:

  • Miocardiopatia hipertrófica: é uma doença genética, hereditária e caracterizada pela hipertrofia e fibrose das células do coração, alterando a estrutura cardíaca e predispondo às arritmias malignas e insuficiência cardíaca;
  • Displasia arritmogênica do ventrículo direito: é uma doença genética, hereditária, mais comum na região do nordeste da Itália, caracterizada por infiltração gordurosa na parede do ventrículo direito, fibrose, aneurismas ventriculares e grande potencial arritmogênico esforço induzido;
  • Anomalia de coronária: as coronárias podem ter diferentes trajetos anômalos por variação anatômica congênita. O trajeto interarterial em que a coronária passa entre as artérias pulmonar e aorta pode ser comprimido durante o esforço, obstruir e levar a isquemia e arritmia ventricular maligna;
  • Doença de canais iônicos (canalopatias): diversas doenças compõem esse grupo.
  • Alterações de canais iônicos como a síndrome de Brugada e a síndrome do QT longo são causadoras de arritmias ventriculares malignas e podem ser identificadas por um simples eletrocardiograma;
  • Doença arterial coronariana (DAC): atletas maiores de 35 anos têm como principal causa de morte súbita o infarto agudo do miocárdio que é a manifestação aguda da DAC;
  • Outras: miocardites, valvopatias, doença de Chagas.

Devemos destacar que os atletas de alta performance e principalmente de modalidades de endurance costumam apresentar adaptações cardíacas denominadas Síndrome do Coração de Atleta e que podem confundir com doenças cardíacas estruturais, gerar desconforto e muita dúvida.

A síndrome do coração do atleta é benigna e não relacionada à morte súbita. Caracteriza-se por redução da frequência cardíaca e hipertrofia adaptativa benigna do músculo cardíaco

Dr. Henrique Grinberg

Fonte: Diretriz Brasileira de Cardiologia do Esporte e do Exercício, da Sociedade

Brasileira de Cardiologia e da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e Esporte, 2019

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